Precisamos falar sobre o assédio!

Nas últimas semanas do 2º período do curso de Design de Moda, a minha turma da disciplina de Cultura Visual teve que apresentar uma proposta de imagem (foto), baseada em um dos sentidos do corpo humano.

Resolvemos escolher o tato e, nas pesquisas para chegar à escolha de um tema pra produzir a tal foto, lembrei de como o tato é utilizado como uma invasão do corpo alheio, seja um cara que esfrega em você no ônibus, ou um que pega no seu cabelo ou na sua bunda na balada. Ou, pior, o seu chefe que pega na sua perna por baixo da mesa de reuniões. Simplesmente inaceitável, mas tão comum!

A ideia nos fez pensar que todas nós já tínhamos passado por alguma situação de assédio (veja bem, no nosso grupo éramos 3 mulheres). Incrivelmente absurdo! Então nós queríamos usar essa foto como um instrumento de denúncia. Mostrar para os outros as situações que as mulheres enfrentam cotidianamente.

Tivemos a dificuldade em encontrar um modelo (homem) para fazer a foto com a gente. Porque as fotos são íntimas, revelam o desespero da alma. Não queríamos que fosse qualquer homem. Pedimos para um colega de sala fazer as fotos, porque com ele ficaríamos mais à vontade. E ele topou!! (Nossos sinceros agradecimentos!)

Escolhemos abordar o tato sem consentimento, por isso o foco das fotos é no toque. E a abordagem foi feita em duas vias: uma mulher que sente a dor do que acontece com ela e não consegue reagir ou é silenciada. E a outra que se revolta (e também sente a dor), mas que consegue dar um basta, um “não”, um “chega pra lá”.

Escolhemos uma mulher com roupa nude (demonstrando que sentimos agredidas no nosso interior, quando tocadas sem nosso consentimento, como se fosse uma nudez do nosso corpo) e uma mulher com uma roupa comum, uma roupa transparente, mostrando que não importa a roupa que ela está, não é certo tocá-la sem seu consentimento!

Não foi fácil fazer as fotos. Foi preciso entrar no personagem, pedir pro nosso modelo realmente utilizar toda a expressão corporal, força, toque e a gente ter que reagir. Mas no final deu muito certo e eu fiquei extremamente feliz com o resultado.

Fiquem com as melhores fotos deste ensaio. Que sirva para que possamos pensar como esse comportamento está arraigado, mas que deve ser combatido sempre! Conversem com as mulheres e os homens da sua vida. Os ensinamentos devem começar desde pequenos. Quem sabe assim eles poderão entender que um corpo só deve ser tocado com o consentimento da pessoa, esteja ela em qualquer situação e com qualquer roupa!

    

 

Vou reproduzir aqui o texto que fiz para o Instagram (aliás, me sigam por lá @amandavjm):

“O assédio não tem cara, não tem nome, não tem lugar. Acontece sempre e com qualquer mulher, mas muitas vezes somos silenciadas. Por medo do agressor, por falta de empatia da sociedade (e até das próprias mulheres) ou por outros motivos. Não se deixe enganar: enquanto não mudarmos a mentalidade de que isso não é normal (nem o fiu fiu na rua, nem seu chefe pedindo ‘favores’, nem um puxão de cabelo, nem uma pegada na bunda, nem a agressão para tocar no sue corpo), isso continuará acontecendo. E o seu corpo só pode ser tocado com o seu consentimento SEMPRE! Não se deixe calar! É preciso falar sobre assédio!”

E você, o que está fazendo para mudar essa realidade?

Trabalho realizado por: Amanda Jacarandá, Amanda Mohn e Thalita Santana para a disciplina de Cultura Visual do Curso de Design de Moda da Universidade Federal e Goiás.


>>Gostou do post? Tem alguma dúvida ou sugestão? Deixe um comentário pra mim! 😘

Amanda Jacarandá

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