As polêmicas do Miss Universo!

Pedi pra minha mãe gravar o Miss Universo pra mim, já que não poderia vê-lo ao vivo. Mesmo assim, quando cheguei em casa, vi algumas partes. Acompanhei pelo TNT, então fiquei um pouco fora da discussão sobre os comentaristas da Band e também não estava prestando tanta atenção assim pra dar uma opinião.

Mas eu estava lá julgando na minha cabeça a beleza das moças que passavam na tela e também criticando as perguntas e respostas do concurso.

Deixei pra ver depois e confesso que até agora não consegui ver o concurso todo (e mesmo que eu veja, tenho certeza que vou pular algumas partes), mas o que ficou foi o que aconteceu fora das telas, ou melhor, nas telas dos computadores, celulares: as críticas e mais críticas que surgiram para o concurso.

Li algumas coisas e me deparei com uma pergunta: “você é a favor de concursos de beleza?” Fiquei com essa pergunta sem saber o que responder, já que eu sou uma pessoa que trabalha com beleza. Mas ao mesmo tempo compreendi que a intenção era fazer pensar e não dar uma reposta pronta.

[Eu tenho uma visão de redefinir a beleza. Eu tenho uma visão que as mulheres do mundo vão reconhecer que a verdadeira beleza, validação e valor próprio começam de dentro. Eu tenho uma visão que, independentemente  da sua idade, gênero, raça, base e visões pessoais, nós vamos apoiar e encorajar um aos outros para que estejam confortáveis em sua própria pele. – tradução livre-]

E eu pensei. Pensei que sim, eu trabalho com beleza, tenho o meu ponto de vista sobre isso, mas não o imponho a ninguém. Pelo contrário, tento achar a beleza de cada um, sem colocar moldes. E o que esse tipo de concurso faz é limitar a beleza a um padrão, o que não é compatível com o que eu faço.

Não vou mentir. É claro que gosto de ver coisas bonitas, pessoas bonitas, bem produzidas. Eu gosto de cuidar do meu corpo e gosto de me sentir bem e bonita. Mas não gosto quando ficam me comparando com os outros, dizendo que fulana é mais magra, beltrana tem a bunda mais dura, cicrana é mais alta, a menina ali tem cabelo liso. Isso não é legal e não se enganem, quando não vem de fora, nós mesmos fazemos tais comparações.

Mas e aí, o que fazer? – Reconhecer a beleza! Enxergar com outros olhos. Não, não é fácil. Nossa sociedade cobra demais, é muito preconceituosa e conservadora, mas cabe a nós tentarmos abrir a cabeça. Entender que os limites da beleza, na verdade, não existem. Se você se sente bem, é o que importa.

E é aí que a Miss Holanda mostra que se sentir bem é dançar Beyoncé no palco, é aí que a Miss Canadá mostra que se sentir bem é encarar uma platéia de pessoas super críticas com uns “quilinhos a mais” que as outras e estar ali, confiante e se sentindo linda. É aí que a Miss Brasil mostra a representatividade do nosso país.

[“Como se sente sendo tão mais… larga que as outras concorrentes?” Me perguntaram isso em uma coletiva de imprensa. Eu quase fiquei sem palavras. Eu pensei “Como eu me sinto de ser eu mesma? Como eu me sinto em estar confiante comigo mesma? Como eu me sinto de viver meu sonho em representar o Canada no palco do Miss Universo? Como eu me sinto em ser um exemplo para tantas jovens mulheres que sofrem para achar alguém por quem admirar? Como eu me sinto em redefinir a beleza?” Essa foi minha resposta: eu me sinto ótima”. -tradução livre-]

O Miss Universo tenta mostrar representatividade, mas acaba só fomentando a competitividade pela beleza e pelos padrões perfeitos que, vamos combinar, não existem.

Eu tenho certeza que se eu perguntar pra 10 pessoas quem é a mais bonita, cada um vai me responder uma mulher diferente. E vai ter gente que vai dizer que elas nem são bonitas, tem outras mulheres muito mais bonitas. E quem tá certo? Todo mundo e, ao mesmo tempo, ninguém. Isso só prova que a diversidade é o tom que devemos falar.

[Esta é a geração de diversidade de corpos. Este é o tempo em que começamos a trabalhar juntos para redefinir a visão global de beleza. Obrigada a todos por todas as mensagens, todos os comentários e todas as histórias que vocês compartilharam comigo. Eu estava tão orgulhosa a ponto de ficar cheia de lágrimas por representar o meu país e as mulheres do mundo. Eu prometo a vocês, isto é só o começo. – tradução livre-]

Vale sim se inspirar em quem você acha bonito. Vale sim buscar seus objetivos, mas não vale ficar se diminuindo em relação aos outros! Vale sim dizer o que você pensa, qual é a sua visão de beleza, mas não vale detonar a do coleguinha. Vale discutir saudavelmente, mas não vale ficar xingando nas redes sociais. Abrace mais o próximo. Não gostou? Dê uma dica, faça uma crítica construtiva, mas não coloque o outro no molde que você criou pra si mesmo!

E APENAS BRILHE, INDEPENDENTEMENTE DA VISÃO DO PRÓXIMO. O SEU BRILHO TÁ AÍ, DENTRO DE VOCÊ!

Amanda Jacarandá

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